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Coronavírus: Como gerir a ansia e o pânico?

Foto do escritor: Guilherme Carriço
Guilherme Carriço
2 de mar. de 2020
5 min de leitura

Atualizado: 3 de abr. de 2020

Há pouco menos de um mês, a disseminação do coronavírus (SARS-Cov-2) no nosso país tem causando crises de ansiedade num número crescente de pessoas. O medo certamente não é injustificado: afinal, ao longo do tempo, mais e mais cidades são isoladas em todo o mundo e mais comunidades ficam inacessíveis devido às restrições aos deslocamentos. A economia está a começar a vacilar e é possível que os efeitos do que está a acontecer atualmente deixem um longo rastro de dificuldades nos próximos meses.

Como já mencionado, a ansiedade é uma reação bastante natural a esse estado de crise. Como sucede com frequência e de forma cíclica na história da humanidade, novas doenças ou patógenos que sempre existiram tornaram-se repentinamente ameaçadoras devido a importantes mudanças nas condições de vida. O coronavírus pode, nalguns casos, causar a morte das pessoas contagiadas, ainda que atualmente pareça que as vítimas são pessoas que já possuem condições médicas pre-existentes (asma, diabetes, hipertensão e alterações do sistema imunitário são as patologias mais mencionadas).

Todavia, a grande incerteza sobre os riscos potenciais e reais, que é bastante normal na presença de um vírus desconhecido, faz com que a ansiedade e o medo aumentem exponencialmente, às vezes levando a atitudes ou comportamentos irracionais que podem e devem ser evitados para se preservar o próprio bem-estar.


Como lidar com a ansiedade e o medo que nos circundam em relação à disseminação do coronavírus? Aqui estão algumas dicas:   . REDIMENSIONAR O RISCO

Habitualmente para o nosso cérebro o que é desconhecido é simultaneamente assustador. Quando algo é temível e ignoto, convencemo-nos (a nossa mente nos convence) de que a possibilidade de sermos vítimas dele é muito elevada (muito mais do que realmente é). Quase todos temos um grande medo de ser atacados por um lobo ou um tubarão, mas é raro que alguém não queira conduzir por ter medo de sofrer um acidente de carro. As probabilidades de morrer num acidente de trânsito são substancialmente maiores do que as de acabar em pedaços por um tubarão, mas enquanto no caso do acidente de viação nem pensamos na possibilidade de cair vítima dele, no caso do tubarão o medo é incontestável. Por outras palavras, se um perigo é desconhecido e assustador, torna-se muito mais real e provável (mesmo que não o seja) do que aquele que é comum e quotidiano nas nossas vidas e que em prática é muito mais provável.


Do mesmo modo quando um novo surto viral é isolado, imediatamente o imaginamos como um imenso perigo para a nossa vida quando comparado com as diferentes condições de saúde, muitas das quais são significativamente mais frequentes na população. Infelizmente, as políticas agressivas, e cada vez mais carentes de responsabilidade e senso ético dos meios de comunicação, das fontes de informações e da imprensa têm contribuindo muito a colocar uma atenção excessiva e completamente inadequada no problema. Todos os anos, a gripe comum infecta 15 milhões de pessoas em todo o mundo, causa cerca de 150.000 hospitalizações e, somente em Portugal no último ano, provocou cerca de 3000 mortes. Até o momento, o coronavírus infectou 1 milhão de pessoas em todo o mundo, das quais cerca de 9000 em Portugal, onde causou 200 mortos. Em síntese, a gripe é muito mais comum e mata um considerável número de pessoas todos os anos. O coronavírus é sem dúvida mais mortal, mas parece improvável que ele possa contaminar tantas pessoas quanto anualmente o faz a gripe.



. PRECAUÇÕES NORMAIS DE HIGIENE

Assim como a gripe, o coronavírus também é transmitido no contato quotidiano. Deveria já ser uma atitude consolidada que se um indivíduo estiver doente fica de repouso em casa e evita o contato próximo com quem não esteja contaminado. Lavar ou desinfetar as mãos com frequência é uma prática higiénico-sanitária, a qual há pelo menos uma década a saúde pública insiste, afixando recomendações e cartazes, e distribuindo folhetos em todos os hospitais, clínicas e centros de saúde. Seguramente não era necessário esperar a chegada de uma epidemia viral pouco conhecida para traduzir em práxis um comportamento que já deveria ser habitual.

Além disso, o sistema imunitário apresenta uma notável resistência aos patógenos quando é colocado nas melhores condições possíveis: seguir uma dieta variada e equilibrada, satisfazer as horas certas de sono, executar exercício físico regularmente em todas as estações.


Nenhuma dessas indicações é uma autêntica novidade: a melhor maneira de prevenir problemas graves de saúde é tratar-se bem. Pode parecer trivial, mas não é uma prática constante nos nossos dias cuidar-se bem e com amor, tendo em consideração os próprios limites e as fragilidades específicas. Sem considerar obviamente aqueles que infelizmente estão em condições de imunossupressão devido à fragilidade da idade ou a condições médicas pré-existentes, convém não esquecer o risco acrescido de todos aqueles indivíduos que têm dificuldade em tomar conta de si e da sua saúde.



. FAÇA UMAS FÉRIAS DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

Especialmente na europa, devido às condições bastante alteradas dos sistemas de informação e à fragilidade estrutural da política reconhecida por todos, os mídia e, consequentemente, os mídia sociais operam de modo muito eficaz para aumentar o nível de ansiedade das pessoas e consequentemente aumentar lucros vinculados ao consumo excessivo e compulsivo de notícias. No entanto, os meios de comunicação social não são o local em que tatuamos para encontrar uma solução ao problema do coronavírus. De fato, lamento dizer, os mídia estão agindo atualmente como parte do problema. Em vez disso, seria sensato abandonar a difusão frequentemente irresponsável e perigosa de notícias particularmente inúteis e alarmistas. O mais sensato è deixar o trabalho aos pesquisadores e aos cientistas, confiando nas suas competências.


Obviamente, isso não significa não se informar ou ignorar a realidade. Mas pelo menos seria bom escolher escrupulosamente as fontes de informação consultadas. Em linha geral, devem-se privilegiar as entidades governamentais e os institutos científicos de importância nacional. Os sites destas entidades dispõem de toda a informação que necessita. Pode também encontrar aprofundamentos relevantes na literatura científica internacional. Tudo o resto é supérfluo e amiúde provoca um aumento da ansiedade. Vale a pena recordar que a Organização Mundial da Saúde (OMS) cunhou o termo "infodemia" para descrever a disseminação excessiva de notícias e as fake news sobre o vírus. O uso dum termo tão evocativo de doença sugere que a OMS queria enfatizar o papel não secundário do meio ambiente, sobretudo no que diz respeito aos meios de informação, na conservação e na proteção da saúde.



. USE O QUE JÁ ANTERIORMENTE O AJUDOU

A ansiedade é, antes de tudo, um estado em que o contato com a realidade atual se perde, para se refugiar em um futuro inexistente, tentando prever, em vão, o que acontecerá. A ansiedade é um acúmulo de excitação que, incapaz de encontrar uma saída no presente, acaba bloqueando a pessoa e o seu comportamento, causando um estado de grave mal-estar.

Não existe um método único e eficaz para todos para diminuir a ansiedade. Algumas pessoas derrotam os pensamentos irracionais aumentando o nível de informação, outras favorecendo os contactos com as pessoas confiáveis ​​e acolhedoras, outras ainda praticando meditação e outras formas de conscientização. Com certeza, o que importa nos momentos como este é confiar nas práticas ou nas técnicas que funcionaram no passado e que são conhecidas e fiáveis. Sem esquecer que, por algum tempo, as infecções aumentarão e com elas também se vão somar os locais envolvidos. Este processo é absolutamente normal. No entanto, as chances de ser infectado são bastante reduzidas se mantiver o bom senso e a observância das práticas normais, comuns e simples de higiene e saúde.

No entanto, quando a ansiedade se tornar incontrolável e o medo investir de maneira significativa as atividades diárias normais, pode ser um bom recurso conversar sobre isso com um psicólogo. Independentemente de onde você mora, de fato, as plataformas de comunicação on-line comuns (Skype, WhatsApp, Facetime) permitem que você receba suporte e cuidados, mesmo estando na sua casa e mesmo quando estiver num local relativamente afastado ou sujeito a normas de isolamento para evitar a propagação da infecção

Adaptamento livre do original: Coronavirus Anxiety: 4 Ways to Cope with Fear


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©2020 por Guilherme Carriço, Portugal

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